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Revista Época Negócios
Segure os talentos!

Eles são ainda mais indispensáveis em tempos de crise. É o que afirmam especialistas como Fabio Barbosa, presidente do grupo Santander, uma referência na arte de identificar, contratar e desenvolver os melhores por Darcio Oliveira

Tirem as 20 melhores pessoas da Microsoft e ela será uma companhia insignificante. A frase de Bill Gates, registrada no livro The Microsoft Way (“O jeito Microsoft”), provocou a indignação de uma centena de especialistas em recursos humanos nos Estados Unidos. Na visão deles, era o mesmo que dizer que os outros milhares de funcionários da empresa de Seattle não passavam de número. Não parece ter sido este o sentido da declaração de Gates. Os funcionários da Microsoft são, sim, importantes para fazer a engrenagem funcionar, mas a trajetória fulminante da companhia, segundo seu fundador, deve-se a um grupo de notáveis profissionais arrancados de outras empresas ou pinçados nas melhores universidades do mundo, treinados e transformados em grandes estrategistas. Ainda que numa análise extremada, ele apenas expôs uma realidade do mundo corporativo: uma empresa só ganhará destaque e prestígio se conseguir formar um pelotão com capital intelectual acima da média do mercado, ainda que essa turma de elite esteja restrita a 20 ou 30 pessoas.

Em momentos de crise financeira como o atual, em que as companhias reforçam a equação do “mais com menos”, a filosofia de Gates ganha especial relevância. Se é preciso cortar custos e enxugar os quadros, que seja então o mais qualificado possível. A própria Microsoft, que saiu ilesa de outras crises, acaba de anunciar que eliminará 5 mil postos de trabalho nos próximos meses. Veja os números recentes de demissões no Brasil, que até pouco tempo se vangloriava de estar blindado contra a crise. Foram 600 mil dispensas em dezembro passado, recorde histórico para um único mês. Setores da indústria, principalmente montadoras de automóveis e siderúrgicas, estão na ponta dessa onda de desligamentos motivada por ajustes de caixa alegadamente “necessários e inevitáveis”. Uma questão é: até que ponto os cortes vêm sendo feitos de maneira criteriosa? “Por enquanto, o que se percebe é que as demissões estão concentradas na área operacional e nos profissionais incapazes de gerar resultado de curto prazo”, diz Carlos Eduardo Altona, sócio da Michael Page, consultoria de origem inglesa que atua na área de recrutamento de profissionais de alta e média gerências. “As posições mais estratégicas vêm sendo preservadas. O mais importante neste momento é associar a má à boa notícia. Se as demissões são inevitáveis por causa da conjuntura, será preciso dizer aos que ficam que os esforços em retenção de talentos continuam.” Altona afirma, porém, que uma empresa que elimina acima de mil postos, por exemplo, invariavelmente acaba colocando no pacote um lote de profissionais com grande potencial: “Mas essa deve ser a exceção, não a regra”.

A prática de sacar a tesoura e cortar a folha de pagamentos pode até resolver um problema pontual, mas produz efeitos colaterais perversos, como a deterioração do ambiente de trabalho e a motivação dos funcionários. Quando um bom profissional vai embora, a organização perde conhecimento, capital intelectual e domínio de processos. O principal erro que uma companhia pode cometer é fazer ajustes sem uma análise prévia da área escolhida e sem questionar a escolha feita. “Essa avaliação superficial, baseada em parâmetros quantitativos em vez de qualitativos, pode resultar num problema estratégico que comprometerá os resultados de médio e longo prazos”, afirma Karin Parodi, sócia da Career Center, consultoria de RH especializada em desenvolvimento organizacional. É necessário considerar outro fator conjuntural que começa a impregnar o cenário corporativo: a perspectiva de uma agenda negativa que deverá incluir, nos próximos meses, o aumento da jornada de trabalho e o acúmulo de funções, justamente em função do enxugamento dos quadros. “Haverá a busca incansável de práticas que possibilitem manter a produtividade com um contingente reduzido”, diz Altona. “As empresas vão priorizar profissionais com capacidade de exibir uma visão mais holística e apurada do negócio.” Em tal cenário, os mais qualificados têm maiores chances de sobrevivência.

É uma percepção que ganha força mundo afora. Um estudo do Boston Consulting Group chamado Creating People Advantage, feito com 4,7 mil profissionais em 83 países, revela que um dos principais tópicos da agenda executiva nos próximos anos é engendrar todos os esforços para desenvolver e reter os indivíduos de alto potencial – independentemente da função ou cargo que ocupem em qualquer um dos níveis da organização. “As crises, mais intensas ou menos intensas, acabam passando. É claro que tudo há de ser feito para que a empresa consiga vencer a fase mais difícil, mas da retomada só vão se beneficiar aquelas que tiverem preservado seus valores, suas crenças e, principalmente, as pessoas-chave e comprometidas”, diz Fabio Barbosa, presidente do grupo Santander no Brasil, ele mesmo um exemplo dessa preocupação atual do mundo corporativo em manter as pessoas certas nos cargos certos.

SURPRESA
Quando o grupo espanhol Santander adquiriu o ABN Amro Real, em 2007, ninguém poderia imaginar que Barbosa seria alçado à presidência do banco comprador. Em primeiro lugar, porque essa não é a regra em negociações deste tipo, ao contrário. Além disso, os espanhóis são famosos por valorizar a prata da casa, promovendo profissionais que fizeram carreira nos quadros do grupo. Logo após os dois bancos anunciarem a transação, a expectativa do mercado era de que o colombiano Gabriel Jaramillo, então presidente do Santander no Brasil, fosse mantido no cargo. Não foi o que ocorreu. Jaramillo foi convidado a assumir a presidência do grupo na América Latina e as portas se abriram para Barbosa. “Madri entendeu que para aquele momento a opção mais adequada era o estilo de gestão do Real. Só isso”, diz Barbosa, referindo-se ao centro de decisões do banco, em Madri. É mais do que isso. O Santander viu nesse paulista de 54 anos o duplo benefício da excelência: um administrador reconhecidamente talentoso, com uma capacidade incomum de reter talentos e valorizar a marca com base em conceitos éticos de responsabilidade socioambiental. Seu lema de gestão: “Dar certo, fazendo a coisa certa, do jeito certo”. Sob seu comando desde 1998, o Real lançou, antes da concorrência, uma carteira de produtos que inclui de contas para universitários a créditos de carbono, além de financiamentos para projetos de energia alternativa e microcrédito. Algumas de suas práticas foram copiadas no modelo de gestão do grupo ABN no mundo. Um bom exemplo foi a criação do primeiro fundo de investimentos brasileiro com regras socialmente responsáveis – o Ethical – que apresenta rentabilidade superior ao do Ibovespa desde que foi lançado, em 2001. Tais movimentos renderam prêmios a Barbosa e o reconhecimento de seus comandados e concorrentes.

Barbosa é também presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o primeiro dirigente de um banco estrangeiro a assumir essa liderança. “Precisamos acender a luz. A imagem dos bancos é pior do que a realidade”, disse, ao assumir a presidência da entidade. Sugeriu montar um código de conduta para o mercado financeiro. Conseguiu. Hoje, acumula ainda as funções de membro do conselho de administração da Petrobras e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

“O processo de integração entre o ABN e o Real conduzido pelo Fabio mostra que o Santander acertou na escolha”, afirma Alfredo Assumpção, sócio da Fesa, consultoria de RH. “Ele é um dos maiores gestores brasileiros de pessoas e isso, no atual momento, vale ouro.” A opinião de Assumpção não é isolada. A maioria dos consultores, headhunters e especialistas em RH ouvidos por Época NEGÓCIOS cita o atual presidente do grupo Santander como exemplo de liderança administrativa baseada no conceito de construção do capital humano.

Informal e participativo, Barbosa foge do estereótipo clássico de presidente de banco. Nos corredores do Santander é chamado simplesmente de Fabio, e com frequência atende funcionários que o procuram em busca de orientações sobre os mais diferentes assuntos, mesmo sem agendar. Começou sua carreira fora dos quadros financeiros, na matriz da Nestlé, na Suíça, pouco depois de concluir o MBA no instituto IMD. De lá seguiu para o Citibank e do Citi para o ABN Amro. Quando o banco holandês comprou o Real, Barbosa – então presidente do ABN no Brasil – assumiu as duas instituições. A integração, realizada em dois anos, foi uma das mais suaves e bem-sucedidas do mercado brasileiro. Praticamente não houve demissões. O que Barbosa quer fazer agora é integrar as melhores práticas de recursos humanos do Santander e do Real. O primeiro é famoso por fornecer um dos mais completos programas de treinamento profissional, lançando mão de parcerias com universidades como a de Harvard, e o intercâmbio sistemático entre executivos de todas as suas filiais. O Real, por sua vez, tem a preocupação de cuidar da base. Seu programa de trainees é reconhecidamente eficaz e trabalha exaustivamente o que Barbosa chama de desenvolvimento humano.

 

“Não acredito na separação entre o profissional e o indivíduo, por isso trabalhamos o aspecto humano no Real, adotando práticas que estimulam o empreendedorismo, o engajamento e a qualidade de vida”, afirma Barbosa. Quando contrata, diz que busca atitude, brilho nos olhos e gente de bem com a vida. “Quero as melhores pessoas porque estas serão os melhores profissionais.” Se o assunto é motivação, o presidente do Santander costuma recorrer a uma máxima de Peter Drucker: todos precisam de uma causa. “Só retemos as pessoas dando espaço para que elas se desenvolvam e um significado para seu trabalho. Isso gera uma conexão mais duradoura entre o funcionário e a empresa.”

Conexão com os comandados tem sido um pilar da gestão de Barbosa. Durante os dois processos de fusão que gerenciou, ele criou um blog para informar os funcionários sobre cada etapa da negociação. Escrevia quase que diariamente e respondia a todos os questionamentos que surgiam em sua tela. Mantém a prática até hoje na intranet integrada dos dois grupos. Pretende incluir na rotina do Santander a Usina de Soluções, expediente usado no Real para estimular novas ideias. Trata-se de um espaço físico onde um grupo de funcionários se reúne para compartilhar sugestões que beneficiem a empresa e seus empregados. Muitas delas são implementadas e premiadas. Também promove reuniões quinzenais com os empregados, batizadas de Conversa com o Presidente. “Há ainda a TV Real, pela qual o presidente consegue transmitir sua mensagem a todos os funcionários que trabalham nas agências. É uma ferramenta que pretendemos levar para o Santander”, afirma Lilian Guimarães, convocada por Barbosa para orientar a equipe de 15 pessoas que fará a integração entre Santander e Real na área de Recursos Humanos.

Lilian estava fora do sistema financeiro havia dois anos. Depois de comandar a fusão ABN e Real, partiu para uma carreira empreeendedora com uma pousada em Monte Verde, Minas Gerais. Profissional reputada, acabou cedendo aos apelos do novo presidente do Santander para voltar. “Pesou o fato de o convite ter partido do Fabio”, diz Lilian. Ela prevê que o processo de união completa dos dois bancos deverá estar concluído em 2010. O maior desafio da dupla será acomodar, sob um mesmo teto, a cultura competitiva e de resultados imediatos do banco espanhol com o modelo de negócios sustentável do Real.

O primeiro ato da integração teve um gosto amargo. Em meados de janeiro, 400 funcionários do grupo Santander foram demitidos. Nem Barbosa nem Lilian, assim como nenhum outro executivo do grupo, quiseram comentar as demissões, que ocorreram nos centros administrativos. Um documento interno da instituição revela que a decisão deveu-se a um processo natural que sempre envolve grandes incorporações: a sobreposição de cargos e funções. No documento, o banco não menciona demissões motivadas pela crise. “O grupo Santander tem 52 mil funcionários no Brasil. Não me parece razoável que uma empresa disposta a preservar o caixa decida cortar menos de 1% de sua força. Não faria muita diferença”, diz um executivo que acompanhou o processo. Bons gestores também se deparam com tais situações. Faz parte do jogo. O aclamado Jack Welch, por exemplo, tornou famosa a curva 70-20-10, pela qual avaliava todos os funcionários, premiava os 20% mais talentosos, treinava os 70% medianos e demitia os 10% restantes. E a GE sempre foi considerada uma excelente “fábrica de pessoas”.

CAPITAL HUMANO

 

Rene Martinez
começou como trainee na Ernst & Young, foi contratado pela GM e voltou à consultoria para se tornar sócio.

Administrar corretamente o capital humano é condição fundamental não somente para superar situações de crise mas também para gerar futuros dividendos. Nos cálculos de bens intangíveis, a força intelectual aparece como fator determinante de competitividade, resultando na valorização de suas ações no mercado. “Nos últimos anos, tornou-se possível entregar uma montanha de dinheiro aos acionistas com um modelo de negócios que usa relativamente pouco capital financeiro e uma tonelada de capital humano”, escreveu Geoff Colvin no livro Talent is Overrated (“Desafiando o talento”). A Microsoft tomou cerca de US$ 30 bilhões de recursos financeiros em toda a sua história e gerou uma fortuna de US$ 221 bilhões aos acionistas. Comparativamente, a Procter & Gamble, uma das companhias mais admiradas do mundo, símbolo de excelência administrativa, gastou US$ 83 bilhões para montar uma empresa avaliada em US$ 126 bilhões. E o que dizer do Google? Usou US$ 5 bilhões para construir uma companhia de US$ 124 bilhões. A PepsiCo., por sua vez, pegou US$ 34 bilhões e gerou US$ 73 bilhões. O sucesso da Microsoft e do Google foi construído, de acordo com Colvin, com base no capital humano. Ambas são famosas por testar intensa e cotidianamente a inteligência das pessoas que contratam e submetê-las a rigorosos testes práticos. “Se você perguntar nos corredores da Microsoft qual é a principal competência da companhia não ouvirá nada sobre software. Os funcionários dirão que é a contratação de pessoas”, relata Colvin. O próprio Bill Gates costuma dizer que suas melhores decisões de negócios sempre estiveram relacionadas à construção do capital humano.

OS PRÊMIOS

Tome como exemplo a abertura de capital da Microsoft em 1986. A decisão partiu não apenas da demanda por financiamento mas também da necessidade de tornar os trabalhadores “donos” da empresa, por meio de opções de ações. Até a década de 90, os níveis salariais da turma de Gates eram 50% mais baixos do que os da concorrência e havia pouco reconhecimento ao objetivo alcançado. Logo após o estouro da bolha das pontocom, entre 2000 e 2001, as ações da Microsoft caíram 40% e a companhia fez um movimento inverso ao que comumente é esperado em situações como essas: tornou-se mais agressiva com os salários e passou a premiar os melhores técnicos. Além disso, criou incentivos de curto prazo, como bônus e outros benefícios. Também intensificou a caça aos talentos. Foi destacada uma equipe de especialistas em RH em cada uma de suas bases com o objetivo de detectar potenciais líderes no mercado, nas principais universidades do mundo e até mesmo dentro da própria companhia. Ainda hoje é assim. Prova maior de que a construção do capital humano tornou-se atividade estratégica dentro da companhia e que a própria “turma de olheiros” é avaliada e cobrada pelo desempenho dos selecionados. Em outras palavras, não basta identificar o bom profissional. É preciso acompanhar seu desenvolvimento e criar condições para que exerça o potencial que o levou aos quadros da Microsoft.

Eis uma mudança importante para os próximos anos. O RH deverá deixar sua condição de departamento periférico para se transformar em atividade estratégica, tão importante quanto a área financeira ou a de marketing. Ivan Zurita, presidente da Nestlé do Brasil, refere-se aos novos tempos como a era da eficiência operacional. “Quem mostrar capacidade de gestão, souber inovar e tiver mais talento para vender produtos ou serviços permanecerá de pé”, afirma. São atribuições impossíveis de alcançar sem uma equipe altamente qualificada. Uma das razões pelas quais as áreas de RH encontram-se em nível inferior ao departamento financeiro na hierarquia das empresas deve-se à incapacidade dos gerentes de recursos humanos em quantificar o próprio sucesso. O estudo do Boston Consulting Group mostrou que apenas um número restrito de empresas analisa sistematicamente a oferta e a demanda futura de pessoal com base em diferentes cenários de crescimento do negócio ou numa abordagem de emprego a emprego. Essa metodologia é que possibilita às empresas determinar quantos funcionários serão necessários, quais qualificações deverão ser adquiridas e quando esse contingente deverá ser agregado à corporação.

Grande parte dos executivos contam com indicadores que fornecem em tempo real métricas relacionadas ao desempenho financeiro e de negócios, mas nenhum deles apresenta índices quantitativos e qualitativos de RH. Conforme sugere o BCG, essas métricas poderiam incluir nível de descontentamento de funcionários, taxa de êxito de recrutamento ou de valor adicionado por pessoa. As qualitativas, por sua vez, deveriam exibir resultados de pesquisas que avaliam a capacidade de liderança e o grau de comprometimento dos funcionários. “Só quando os principais executivos tiverem uma visão mais precisa e completa das atividades de RH é que a área poderá alcançar o papel de parceiro estratégico dentro da organização”, diz Célia Marcondes Ferraz, coordenadora do núcleo de gestão estratégica de pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

 

 

LÍDERES EXEMPLARES
O CEO destes novos tempos deve ser o primeiro a contemplar no seu rol de tarefas a cobrança sistemática pelo treinamento de pessoas e a consequente detecção dos talentos, dos futuros líderes e dos sucessores.

Na Avaya, presidida por Cleber Morais, foi criado um espaço onde os funcionários podem jogar pingue-pongue, pebolim ou simplesmente relaxar.

Aos diretores, cabe o papel de se transformarem em satélite do RH, ou seja, incluir em suas atribuições o aperfeiçoamento profissional desses líderes. “O papel de um competente diretor de RH é a autodestruição. Seu trabalho só estará completo se ele conseguir fazer com que todos os gestores da organização se transformem em desenvolvedores de pessoas”, afirma Assumpção, da Fesa. São os líderes, segundo ele, que personificam a missão e os objetivos da organização, servem como modelos de comportamento e são os principais responsáveis pelo engajamento das equipes. “Bons líderes seguram bons profissionais. Pense em Welch, Gates, Jobs. Quantos jovens financistas sonharam em trabalhar com Warren Buffett? E o que dizer dos apóstolos de Jorge Paulo Lemann, precursor da cultura da meritocracia no Brasil? Barbosa e sua filosofia humanista dos negócios também produziram uma legião de talentosos seguidores. Liderança puxa liderança”, diz Assumpção. Muitas empresas têm cursos específicos para diretores e chefes de departamento exatamente com esse objetivo: liderar pessoas e detectar talentos. Algumas contam até com equipes de psicologia organizacional para ajudar na tarefa.

É o caso da Ticket, do setor de serviços. A psicologia organizacional tem como principal objetivo ajudar os executivos a entender os anseios de seus comandados e estimular as pessoas que têm mais condição e desejo de prosperar. “Elas podem optar por posições em outras filiais, mudar de função (job rotation) ou assumir cargos ou projetos criados sob medida”, afirma Lia Aere, diretora de RH do grupo Accor Services, que controla a Ticket. A própria Lia teve sua primeira posição executiva como diretora adjunta de projetos, função criada para estimular seu desenvolvimento dentro da empresa. Antes, era gerente de tecnologia da informação. A promoção incluiu também um novo projeto, o Millenium, orçado em R$ 60 milhões e que tinha por objetivo construir uma “nova” Ticket. A partir daquele momento, os tíquetes alimentação em papel vendidos pela empresa seriam substituídos por cartões, uma série de produtos seria lançada e as lojas físicas teriam de ser drasticamente reduzidas, priorizando as vendas virtuais. Lia assumiu o compromisso de substituir toda a plataforma tecnológica da companhia no Brasil, de modo a torná-la apta a receber os novos processos. Das 36 filiais de vendas físicas, sobraram duas.

 

 

“Hoje, 80% de nossos contratos são fechados pela internet”, afirma Lia. O êxito levou-a à diretoria de tecnologia e operação e à diretoria de RH, onde está até hoje. Também comanda a Build Up, empresa do grupo que terceiriza serviços de administração de pessoal, e a Ticket Seg, corretora de seguros.

O talento é, portanto, fruto de um ambiente corporativo que favorece a aprendizagem. Na obra Gestão de Recursos Humanos, os professores espanhóis Simon Dolan, da escola Esade, e Rámon Valle Cabrera, da Universidade Plabo de Olavide, ensinam que a única forma de manter um bom profissional ativo e comprometido é criar uma cultura permanente de desenvolvimento, desafios e inovação. É exatamente o que comprova um estudo global conduzido pelo Hay Group com executivos de 1.140 companhias. A questão central da pesquisa eram as novas formas de liderança em tempos de crise e, nesse contexto, o capítulo atração e retenção de talentos foi tratado com especial destaque. Cerca de 90% dos entrevistados consideram que o fator principal de manutenção dos bons profissionais é a oportunidade de desenvolvimento. Remuneração aparece em segundo lugar, com 73% das respostas, empatada com liberdade de atuação, ou seja, a possibilidade de trabalhar com horários flexíveis. Outra pesquisa, feita pela IBM Global Human Capital com 400 executivos, segue na mesma direção. Itens como “novos desafios” e “claras oportunidades de crescimento profissional” surgem à frente de quesitos como “salários e benefícios compatíveis com o mercado”

Para Glaucy Bocci, consultora da área de liderança do Hay Group, o atual momento sinaliza uma mudança sensível no relacionamento futuro entre empresas e empregados. Os profissionais, principalmente os mais talentosos, querem algo mais do que um salário no final do mês. A busca pela evolução profissional está diretamente relacionada à necessidade de assumir desafios e se sentir parte integrante dos planos da companhia. “E para que isso ocorra, o funcionário deve estar sempre motivado”, afirma Glaucy. “Os líderes mencionaram na pesquisa a clareza de informações como um importante fator de motivação em tempos de crise.”

Em uma palestra recente na Universidade de Miami, Jack Welch, ex-CEO da GE, forneceu conselhos sobre como um presidente de empresa deve lidar com as dificuldades da crise mundial. Entre as recomendações, citou a necessidade de os líderes se comunicarem “como nunca” com os seus melhores profissionais. Eis os conselhos de Welch: 1) Tenha certeza de que você está cuidando direito de seus talentos; 2) Não se esconda em sua sala e procure visitar a mesa de trabalho dos comandados; 3) Fale com os funcionários o tempo todo. Diga qual o papel deles nesse momento, quais os planos da empresa e aquilo que você tem em mente para cada um quando a crise passar; 4) Transmita segurança; 5) Explique a razão por trás de cada decisão tomada; 6) Faça cada executivo entender que uma determinada tarefa lhe foi confiada porque ele é, sem dúvida, o mais apto a executá-la e 7) Procure entender que quando os talentos se sentem bem cuidados dificilmente aceitam propostas da concorrência. Outro aspecto importante que salta da pesquisa do Hay Group é o estímulo à inovação. Líderes, daqui para a frente, deverão encorajar mais a criatividade, os debates e o compartilhamento de ideias entre os funcionários de vários níveis. “A liderança será mais democrática”, diz Glaucy. Trata-se de uma medida imprescindível para a manutenção de um quadro qualificado. Você já deve ter presenciado, na sua empresa, uma nova ideia ser fuzilada sem o menor critério de avaliação – simplesmente porque ela parece de difícil execução (ou porque não foi o chefe que pensou nela antes). Para cada ideia criativa descartada, há um criador imaginando se vai ou não se arriscar a oferecer outras. Isso acaba por inibir as cabeças pensantes. Daí à fuga de talentos é um pulo. As respostas das empresas a todos esses anseios terão de ser certeiras, sob pena de ver aumentar consideravelmente o índice de rotatividade.

Um estudo da BSP (Business School São Paulo) feito com exclusividade para Época NEGÓCIOS explorou o tema rotatividade de funcionários no Brasil. Foram ouvidos 150 profissionais que exercem funções em diversas áreas e empresas, além de empreendedores de pequenas e médias companhias e consultores e professores da escola de negócios. Do total, 64% dos profissionais consultados afirmaram que em sua percepção o tempo de permanência das pessoas nas empresas tem sido menor. As principais causas de desligamento espontâneo estão relacionadas à falta de perspectivas de crescimento profissional, às relações hierárquicas sem qualidade e à ausência de uma estrutura de incentivos e benefícios. Segundo a BSP, as empresas têm um desafio nesse sentido, que é a gestão de pessoas com expectativas diferentes. Há a geração que entrou e tem o objetivo de fazer carreira na empresa; outra que vai trocar de empresa no médio prazo; e uma terceira que se não “passar de fase” no próximo ano vai embora. “Essa é a chamada geração videogame. São jovens em busca de carreiras meteóricas. Se a companhia não dá sinais claros e objetivos de seu crescimento, eles saem na primeira oportunidade”, afirma Carlos Faccina, presidente da BSP. Essa moçada também é conhecida como geração Y. Moldada pelo imediatismo da internet, começa agora a chegar ao mercado de trabalho e precisa de estímulos para oferecer o que tem de melhor: a ousadia, a criatividade, a facilidade para realizar múltiplas tarefas e o espírito questionador. Ter uma política de recursos humanos que a entenda pode trazer um excelente ganho de produtividade. Alexandra Periscinoto, presidente da empresa de call center SPCOM, com mais de 4 mil funcionários – a maioria com menos de 30 anos – dá um bom exemplo de como lidar com essa nova geração. “Eles têm dificuldades de esperar a concretização de um projeto de longo prazo. O melhor a fazer é dividir um projeto mais longo em etapas mais curtas, com metas e prazos predeterminados, cujos resultados podem ser obtidos com maior rapidez.” Para Faccina, essa geração deve ser vista pelas organizações não como vilã, mas como importante agente de mudança.

PEBOLIM E PINGUE-PONGUE

O engenheiro
Rodrigo Pinheiro, perito em construção e manutenção de rodovias, mudou de emprego
três vezes nos dois últimos anos.
O aquecimento do mercado de construção civil intensificou a disputa por profissionais mais qualificados

A Avaya, empresa de tecnologia que comercializa equipamentos para redes corporativas, sentiu na pele a necessidade rápida de transformar seu processo de gestão de pessoas, adequando-o à nova realidade do mercado. Cinco anos atrás, a companhia assistiu a uma fuga sem precedentes, quando cerca de 30 funcionários deixaram a empresa num período de menos de um ano – alguns considerados importantes para o crescimento da companhia. Os salários eram maiores do que a média do mercado e, aparentemente, o clima organizacional parecia bom. Um exame mais detalhado dos processos mostrou, no entanto, que os funcionários buscavam algo mais do que uma boa remuneração.

Pesquisas internas apontaram fatores como motivação, flexibilidade de horários, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e a necessidade de se sentir inserido no planejamento estratégico da companhia como os principais fatores de satisfação dos funcionários. Detectados os anseios, a Avaya começou a mudar. Investimentos em tecnologia facilitaram a flexibilização do horário de trabalho. “Uma boa parte de nosso pessoal trabalha remotamente, de casa. Outros podem chegar mais tarde ou sair mais cedo. Exigimos resultado e não a presença física”, diz Cleber Morais, presidente da Avaya no Brasil. “Acreditamos que o tempo de deslocamento até a empresa pode se transformar em produtividade.”

Morais também criou um espaço de convivência numa área de 800 metros quadrados no escritório, em São Paulo. O projeto foi batizado de Balance Work&Life. Lá, os funcionários jogam cartas, pingue-pongue, snooker e pebolim ou simplesmente tiram alguns minutos de folga para relaxar. O bom ambiente, segundo ele, tem contribuído para uma melhor sinergia entre as áreas e as pessoas. O plano de carreira na Avaya também é flexível. Funcionários podem mudar de função e de área se isso significar maiores chances de crescimento profissional, e há a possibilidade de intercâmbio com as outras 38 unidades da empresa pelo mundo. Outra prática é estimular seus empregados a indicarem conhecidos sempre que surge uma nova vaga. Se o candidato for efetivado, quem o indicou pode receber prêmio de até R$ 5 mil. O objetivo é ter uma equipe homogênea, com o mesmo perfil profissional. A Avaya foi eleita, no biênio 2008-2009, como a empresa com maior índice de escolaridade, segundo a pesquisa As Melhores Empresas para Trabalhar, realizada pelo Great Place to Work. Nada menos do que 96% de seus funcionários têm no mínimo curso universitário completo. No ano passado, a empresa intensificou seus programas de treinamento e inaugurou um curso de MBA customizado na Business School São Paulo. As iniciativas de retenção de talentos ajudaram a filial brasileira a apresentar, no ano passado, um dos maiores índices de crescimento da empresa no mundo. As vendas da Avaya cresceram 45% em relação ao ano anterior.

UM POUCO DE HISTÓRIA
Durante muito tempo, a estabilidade no emprego era a moeda mais valiosa do mundo corporativo. O funcionário se orgulhava de ter passado 30 anos na mesma empresa e criava tamanha identidade com a corporação que sequer cogitava a transferência para outra função ou companhia. Era o pensamento de longo prazo. A partir dos anos 90, com o fortalecimento da globalização, que acirrou a competição no mercado corporativo, esse comportamento mudou. Foi deflagrada a guerra por talentos e surgiram novos modelos de remuneração e benefícios capazes de atrair desde o mais inexperiente trainee ao mais graduado diretor. “Lealdade virou sinônimo de zona de conforto”, afirma Faccina, da BSP. Empresas passaram a oferecer mais treinamento, cursos de idiomas, de especialização e também a exigir do funcionário que entregasse mais do que o esperado, premiando o alto desempenho. A exigência do mercado por maior qualificação aumentou consideravelmente. Os avanços tecnológicos, os novos modelos de gestão, a necessidade de contar com profissionais aptos a realizar qualquer tipo de trabalho dentro de seu campo de atuação e o crescimento exponencial da economia mundial pré-crise de 2008 provocou ao mesmo tempo uma evolução e um problema. A evolução, óbvia, é a excelência daquelas companhias que conseguiram reciclar seus quadros. O problema: a maioria das universidades, principalmente nas nações em desenvolvimento, não acompanharam essa necessidade de evolução.

Um estudo mostra que 80% dos executivos de países emergentes consideram que o processo de recrutamento e retenção de talentos ficará mais complicado nos próximos três anos porque há um crescente distanciamento entre as habilidades e competências dos universitários recém-formados e as necessidades das empresas. Em alguns setores a guerra por talentos, combinada à falta de “celeiros”, provocou situações extremas. Na construção civil, por exemplo, a demanda por engenheiros chegou a tal ponto que as companhias passaram a recontratar profissionais seniores. O engenheiro paulista Rubens Aloísio de Castro, 70 anos, é um bom exemplo. Ele passou boa parte de sua carreira – cerca de 40 anos – dando expediente em duas empresas: a Setal e a Ultratec, do grupo Ultra. Aposentou-se há dez anos, mas não consegue largar o batente. Seu telefone toca com ofertas para pilotar um projeto aqui, uma obra ali, e o descanso vai sendo adiado. Somente nos últimos quatro anos, Castro usou o capacete de quatro empresas diferentes: Genpro, Ultracargo, Cnec (pertencente à Camargo Corrêa) e KTY, onde trabalha atualmente.

“No caso da engenharia, não é a faculdade que forma. É a obra”, diz Rodrigo Pinheiro, 48 anos, engenheiro civil especializado em construção e manutenção de rodovias. Formado pela Escola de Engenharia Kennedy, de Belo Horizonte, Pinheiro começou a carreira abraçando um grande projeto: a construção do núcleo urbano da Vale em Carajás, no Pará. “Trata-se de um condomínio onde moram os trabalhadores da empresa. Fiz casas, clube, hospitais, escolas”, afirma. Pouco depois deixou os minérios da Vale para montar o corredor de trólebus de Diadema, na Grande São Paulo. Trabalhou para a Convap Engenharia e para a Dersa e, aos poucos, foi se especializando em obras rodoviárias. Orgulha-se de ter em seu currículo a manutenção das rodovias Régis Bittencourt e Carvalho Pinto, duas das maiores do país. Em 2007, surgiu a oportunidade de se juntar à empresa espanhola OHL.

Para se reciclar, Pinheiro fez pós-graduação em gestão ambiental na Universidade de São Paulo e, uma vez na multinacional, imaginava permanecer por 20 anos. Mas descobriu, depois de oito meses, que o cargo oferecido era de pouca autonomia e o salário não era compatível com sua experiência. “Ficava longe de casa, sem ver minha mulher e meu filho, com uma remuneração que não me agradava e um cargo irrelevante. Saí”, diz Pinheiro. Foi imediatamente chamado pela Egesa. A empresa, bem menor do que a OHL, soube trabalhar melhor os anseios de um profissional altamente especializado.

Na Promon, o presidente, Luiz Ernesto Gemignani, cansado da escassez de engenheiros no mercado e de concorrentes interessados em roubar seus melhores talentos, decidiu liderar pessoalmente as ações de retenção. Sobre sua mesa há uma lista com dezenas de funcionários que estão se destacando no processo de avaliação de desempenho. Ele conversa com cada um deles uma vez por mês. Nesses encontros, fala das estratégias da empresa, das oportunidades de crescimento e do que a companhia espera deles. “O diálogo é uma das principais ferramentas de motivação”, diz Gemignani. “É assim que se cria uma relação aberta entre empresa e empregado e se constrói um ambiente de estímulo constante ao aperfeiçoamento profissional.” Na Promon, não existem incentivos como bônus de retenção ou opções de ações. Gemignani diz que essa prática pode criar algemas de ouro: “Faz com que um funcionário, mesmo descontente, continue na empresa movido exclusivamente por razões financeiras. Não é a nossa filosofia de trabalho”.

 

 

O relacionamento social é apenas uma das vertentes da Ernst & Young para reter talentos. De acordo com Elisa Carra, diretora de RH, a consultoria buscou assimilar nos últimos tempos todas as boas práticas de gestão de pessoas. “Investimos cerca de 90 horas de treinamento em cada um de nossos 2,2 mil funcionários, perfazendo um total de 195 mil horas de aprendizado em 2008. Essa média per capita é o dobro do que a Ernst exige globalmente”, afirma Elisa. Traduzindo em cifras: a empresa gastou o equivalente a 5% da receita bruta, aproximadamente R$ 500 milhões no ano passado, em cursos de qualificação profissional em todos os níveis. É um dos maiores índices do mercado brasileiro. Nessa área, onde a rotatividade de funcionários costuma ser alta, em torno de 20%, expedientes como esse são fundamentais para preservar o capital intelectual. A prática de apadrinhamento é outra característica típica das empresas de auditoria e consultoria. O presidente, todos os sócios, os diretores e os gerentes têm como atribuição cuidar do processo de desenvolvimento da carreira de seus “afilhados”, aqueles funcionários imediatamente abaixo na escala hierárquica. Foi graças ao aconselhamento de um padrinho que Rene Martinez, 35 anos, tornou-se o sócio mais jovem da empresa no Brasil.

Em 1992, ainda um contabilista recém-formado, Martinez deixou um estágio na consultoria Boucinhas & Campos para se juntar à equipe de trainees da Ernst & Young. Quatro anos depois, tornou-se auditor sênior. Foi quando recebeu uma proposta da General Motors para trabalhar como analista de controles internos, cargo vinculado à área financeira. Martinez morava na região do ABC paulista, onde se localiza a GM, tinha um filho a caminho e o salário oferecido era maior. Topou. “Em seis meses, fui promovido, fiz treinamento nos Estados Unidos e construí uma boa rede de relacionamentos na montadora”, afirma Martinez. Mas a Ernst & Young acompanhava os passos de Martinez por meio de um de seus antigos padrinhos, o diretor Idésio Coelho. O sistema é conhecido internamente pelo sugestivo nome de bumerangue. O superior de um ex-funcionário com alto potencial tem a atribuição de manter contato frequente com ele, saber onde está, se evoluiu profissionalmente, quanto ganha, o que faz, se está ou não contente com o atual emprego. O objetivo? Trazê-lo de volta. “Coelho sempre falava comigo. Eu não conseguia me desconectar da Ernst”, diz Martinez. Em 1998, retornou para a consultoria como supervisor da área de auditoria. De supervisor passou a gerente, depois a diretor, até se tornar sócio. No meio do caminho, entre 2003 e 2004, atuou na E&Y de Miami. Quanto ao salário, Martinez conta que voltou “fazendo contas”. Mas a perspectiva de crescimento era bem maior. Sócio mais jovem da Ernst & Young, ele diz que não pode se queixar de sua remuneração fixa e variável.
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